sexta-feira, 21 de maio de 2010

Relicário

Acho que estou numa espécie de ‘inferno astral’ só pode ser. Ando pensando na vida mais do que o normal e estou cada vez mais convencida que o tempo é só uma impressão passageira. Certa vez fui questionada sobre de qual maneira eu me definia. Fiquei sem resposta na hora e até agora não sei ao certo uma definição única a respeito de mim mesma.
Sempre achei mais interessante ver a vida passar, as vezes mais do que viver. Gosto de observar as pessoas e estou certa de que de tudo que é humano nada me é estranho. Diante de seres humanos bons e maus igualmente meus sentidos simplesmente desligam, se cansam. Sou educada, balanço a cabeça e finjo entender o que eles dizem, este é um grande ponto fraco que tem me levado a maioria das encrencas. Eu escuto, eu respondo mas eles são broncos demais pra perceber que eu nem estou mais ali.
Tenho observado a moçada do século XXI, viajando entre gírias mutantes vejo uma infeliz juventude com prazeres momentâneos. O mundo anda cheio de gente- fantoche, abraços de plástico, sorrisos de plástico, será que os jovens enlouqueceram? É um tanto arrogante de minha parte dizer isso assim – enlouqueceu- como se estivesse perfeitamente segura não só de minha sanidade, mas também da capacidade de julgar a sanidade alheia. Reformulando, posso dizer que a juventude tem se comportado de maneira estranha. Mas, deixa pra lá, Sartre já disse que ‘o inferno são os outros’ né?
Prefiro procurar festas em que eu possa colocar minhas calças vermelhas e dançar rock até cair e de qualquer forma, às cegas, às tontas, tenho feito o que acredito, do jeito torto que sei fazer. Invento uma boa abobrinha e dou risada feito louca, feito idiota, dou risada até do que parece trágico as vezes perco o sentido e sobra só a vontade de dar uma boa gargalhada e dessa forma continuo me definindo com um grande ponto de interrogação e sem resposta.